14 de set de 2007

Histórias do Festival - Parte 2

Mais uma do Paissandu, esta no Festival de 2002. O Pianista era um dos hits da seleção, por ter ganho a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Desta vez tinha ingresso comprado com antecedência, para a última sessão do filme dentro do festival. E todas as anteriores, nos mais diversos cinemas, foram com casa lotada.

Já no cinema, fiquei na 4ª fileira. Sessão mais uma vez lotada, mas tudo transcorrendo na mais perfeita normalidade. Até que, faltando uns 5 minutos para começar o filme, vem uma senhora, aparentemente de uns 40 anos, e senta com uma adolescente na 1ª fileira do cinema.

O problema: ela tinha uma cabelo a la Marge Simpson. Ok, não tão grande, mas o suficiente para atrapalhar bastante a visão de quem estava atrás - o Paissandu, cinema antigo, não tem o formato stadium das salas mais modernas.

2º problema: a sessão era com legenda eletrônica. Para quem não sabe, trata-se de um painel eletrônico por onde passa a legenda, que é instalado logo abaixo da tela de cinema, para a projeção de filmes que ainda não tem cópia legendada em português - algo bastante comum no festival. Ou seja, se em condições normais o cabelo já atrapalharia, a situação piorou mais ainda porque a legenda ficava mais abaixo do que o habitual.

O filme começa e logo vêm as reclamações:

- Abaixa!- Tira esse cabelo da frente!- Sai daí!

E ela lá, impassível, fingindo que não era com ela.

Apesar de próximo conseguia assistir ao filme normalmente, por estar em diagonal em relação à mulher. Mas era impossível não prestar atenção ao que acontecia dentro da sala. Após muita reclamação, começou a romaria: diversos espectadores e até funcionários do cinema foram falar com ela, pedindo que se abaixasse, para que a situação ao menos melhorasse um pouco.

3ª problema: ela tinha problema de coluna, ou seja, não podia se abaixar. E disse, em alto e bom som, que tinha pago o ingresso e tinha direito de assistir ao filme onde quisesse.

E o filme em exibição, não se esqueçam.

Vários minutos de xingamentos depois, a situação se acalma. As cadeiras das fileiras logo atrás onde ela estava sentada se esvaziam, já que era impossível assistir a qualquer coisa dali. O público preferia assistir sentado no chão, nos corredores do cinema.

Cerca de uma hora depois, um adolescente senta bem atrás da mulher, num dos lugares vagos. Minutos depois, dá um chute na cadeira dela.

Em seguida dá outro, mais forte ainda. Dá para ver o cabelo balançando, pelo impacto.

A garota que estava com a mulher se vira, berrando e xingando. O adolescente responde:

- Ela não me deixa ver o filme, então também não deixarei que ela veja.

E toma outro chute na poltrona.

A garota sai da sala, dizendo que ia chamar a segurança. Que realmente veio, mas o adolescente já tinha se mandado e misturado ao público. Os demais espectadores, revoltados com a mulher, não o denunciam.

Dali até o fim da sessão um segurança fica parado, ao lado da tela, apenas para vigiar se mais alguém faz algo. O que não acontece, o restante do filme transcorre normalmente.

Ao término da sessão, com as luzes já acesas, veio o desfecho: ao se levantar a mulher é vaiada, em peso, até que enfim deixe o Paissandu. E nunca mais, nos anos seguintes do Festival do Rio, houve sessão com legenda eletrônica neste cinema.

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