4 de out de 2007

Paranoid Park

Alex é um jovem de 16 anos, que namora Jennifer e tem Jared como seu melhor amigo. Um dia ele e Jared vão a Paranoid Park, o paraíso dos skatistas. Eles combinam de voltar ao local no sábado à noite mas, de última hora, Jared precisa viajar. Alex decide ir ao local sozinho e lá conhece outros skatistas. Ele aceita o convite de um deles para subir em um trem de carga, sem imaginar o problema que teria.

“Estou fazendo a maior bagunça. Mas fique tranquilo, pois irei contar tudo.”

Esta é a frase que melhor define Paranoid Park. Trata-se de um grande quebra-cabeças, montado aos poucos e com sutileza pelo diretor Gus Van Sant. Os eventos ocorridos com Alex são mostrados de forma não-linear, sendo que a frase acima é dita pelo próprio personagem em determinado momento. Trata-se de um aviso ao espectador, para que saiba o que está por vir.

Paranoid Park foge um pouco do estilo dos últimos dois trabalhos de Gus Van Sant, Elefante e Últimos Dias. O ritmo continua lento, mas não tanto quanto nestes filmes. Há cenas que lembram bastante Elefante, especialmente quando a câmera acompanha Alex andando pelos corredores de sua escola. Entretanto o formato deste é inteiramente diferente: enquanto nos anteriores Van Sant buscava mostrar um painel sobre o que acontecia simultaneamente com vários personagens, aqui é um fato ocorrido com um único personagem, com seu passado, presente e futuro mostrados fora de ordem. Isto o torna um filme intrigante, pois aos poucos são revelados pequenos detalhes que esclarecem o porquê de uma cena anterior ter sido daquela forma ou a atitude de algum personagem. É, como disse antes, um grande quebra-cabeças.

Porém Paranoid Park sofre de um problema crônico do cinema americano: a necessidade de deixar tudo bem explicadinho, todos os pingos nos is. Nem toda história necessita de tantas informações sobre o destino de seus personagens, muitas vezes deixar dúvidas no ar é mais interessante para o filme como um todo e também para o próprio espectador, que pode discutir seus possíveis finais ao término da sessão. As duas últimas cenas têm por função apenas seguir este cacoete do cinema hollywoodiano. Não incomodam, mas são desnecessárias. Ainda assim trata-se de um filme muito bom, o melhor que Van Sant fez desde Gênio Indomável.

Paranoid Park (idem), de Gus Van Sant, EUA, 2007, 90′ (LEP)

Mostra Panorama

Nota: 8,5

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