5 de out de 2007

O Outro

Juan Desouza vive sufocado entre o trabalho burocrático e suas obrigações como chefe de família. Durante uma viagem de negócios, descobre que o homem sentado ao seu lado no ônibus está morto. O fato desencadeia em Juan uma súbita sede de liberdade e ele decide passar mais alguns dias fora de casa. Juan inventa novas identidades e profissões, explorando a experiência de ser outras pessoas. Grande Prêmio do Júri e Urso de Prata de Melhor Ator no Festival de Berlim 2007.

A estrutura do filme é bem interessante: um homem chega a seu limite e resolve viver outras vidas. Juan não quer mais saber da esposa, do pai doente, do trabalho cansativo. Ele quer ser outra pessoa. A partir dessa boa premissa, o longa, infelizmente, se desenvolve de forma canhestra. O ritmo é lento, como se o diretor não soubesse o que fazer com o personagem quando ele se liberta. Juan não realiza muita coisa digna de nota em suas outras vidas. Pelo contrário, se contenta em ficar sozinho em quartos de hotéis, jantar fora, andar pelas ruas, enfim, um retrato de uma vida cotidiana. Que pode ser extremamente libertadora para o personagem, que finalmente tem algum tempo só para si, mas que não é lá muito atraente para o espectador.

Como ponto alto do longa, destaca-se o excelente trabalho de Julio Chávez como Juan. Não foi por acaso que o ator foi premiado no Festival de Berlim deste ano. É impagável a cena em que Juan, fingindo ser médico, é obrigado a socorrer uma velhinha surtada. Só essa cena já compensa ver o filme.

O Outro (El Otro), de Ariel Rotter, Arg/Fra/Ale, 2007. 83’ (LEP)

Première Latina

Nota: 6,0

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