2 de out de 2007

Corpo

Na cidade de São Paulo, uma enorme ossada é descoberta e levada ao IML. Desconfia-se que os esqueletos pertençam a pessoas desaparecidas durante a ditadura militar. Junto aos ossos, também é encontrado um cadáver de mulher ainda não decomposto. O legista Artur fica obcecado em descobrir a identidade da moça e desenvolve uma estranha teoria de que aquele corpo foi enterrado junto com os outros e, por algum motivo, se preservou por mais de trinta anos.

Outro dia mesmo comentei aqui que boas idéias nem sempre se transformam em bons filmes. Volto a falar no assunto para tentar entender o porquê de um argumento tão interessante ter resultado num filme tão problemático. O necrotério é um cenário criativo, o legista é um excelente personagem e a idéia do corpo sem identidade gera inúmeras possibilidades. Então o que desandou? Certamente o ponto crítico de Corpo é seu roteiro: além dos diálogos não serem bons, a estrutura também é meio esquisita. Por que aquele corpo teria se preservado? Milagre? Ou tudo não passa de uma metáfora do tipo “um dia a verdade vem à tona”? Esse é apenas um exemplo das pontas soltas da história. Também existem cenas aleatórias, que não apenas nada acrescentam à história como também colocam novas dúvidas na cabeça do espectador. O curioso é que percebe-se que o roteiro tenta trabalhar com alguns elementos clássicos do cinema noir, como o homem maduro desiludido, a jovem cheia de mistérios que muda sua rotina, um crime a ser desvendado, etc. Mas apenas colocar os ingredientes na batedeira não faz um bolo.

Leonardo Medeiros, um dos melhores atores brasileiros da atualidade, é o único responsável por manter o espectador conectado com a confusa história. Vê-lo em cena é sempre bom. Ao mesmo tempo, é decepcionante, já que quem acompanha a carreira do ator sabe que ele costuma ser bem seletivo em suas escolhas de papéis.

Corpo (idem), de Rossana Foglia e Rubens Rewald, Brasil, 2007. 86’

Mostra Première Brasil - Novos Rumos

Nota: 3,0

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