16 de nov de 2007

O Dia Seguinte

Há algo de estranho em assistir a O Dia Seguinte nos dias atuais. Não pelo filme em si, que mantém seu vigor ao alertar sobre os perigos de uma guerra nuclear, mas pelos dias atuais. Quando o filme foi lançado, em 1983, o mundo estava em plena Guerra Fria. Uma guerra nuclear era algo possível para a qualquer instante, ao menos esta era a sensação geral. Não que este risco esteja de todo afastado, mas a tensão mundial hoje é bem mais amena. Assistir ao filme agora não é apenas lembrar do tema, mas sim de uma época. É a Guerra Fria que está lá materializada, o que serve também para se analisar o quanto o mundo mudou de lá para cá.

Não que o mundo tenha se tornado um lugar mais calmo desde então. Se não há a ameaça constante de uma guerra nuclear, há o aquecimento global esquentando todos os recantos da Terra. Há o terrorismo, que mudou o conceito de perigo de grandes situações para algo menor e inesperado. Ver O Dia Seguinte é como assistir a uma época distante dos dias atuais, mas que é apenas de pouco mais de duas décadas atrás. Uma época em que o mundo ainda se dividia entre capitalistas e socialistas, em que a União Soviética e a Alemanha Oriental existiam, em que a internet sequer era sonhada. Muitos de nós vimos esta época acontecer, nem que seja um pedaço dela, e hoje ela é parte de um passado em que pouco é percebido em nosso cotidiano. O Dia Seguinte é um filme claramente datado mas que, mesmo assim, pode-se notar o impacto que causou na época em que foi lançado.

Ele segue a estrutura de um filme-catástrofe dos anos 70: poucos efeitos especiais, que nos dias atuais são bastante simplórios, e atores de renome protagonizando diversas histórias paralelas, todas afetadas pela catástrofe ocorrida. Como filme O Dia Seguinte não tem nada de inovador. Seu valor maior é justamente pela abordagem de um tema sensível e polêmico em pleno governo Reagan, naquela sensação palpável de que o exibido era viável. A coragem em fazer o filme é tão importante quanto o filme em si. É daqueles casos de que o momento em que foi lançado dá ao filme uma dimensão maior do que ele realmente é, algo que ocorreu recentemente com Fahrenheit 11 de Setembro. Apenas o tempo é capaz de colocá-lo em seu devido lugar.

O Dia Seguinte, visto hoje, continua sendo um bom filme. Datado e com limitações mais visíveis do que nunca, mas ainda um bom filme. Só que na época em que foi lançado representou muito mais do que isso, algo que não deve ser esquecido.

Ficha de O Dia Seguinte no Adoro Cinema

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