3 de dez de 2007

30 Dias de Noite


Barrow, uma pequena e remota cidade do Alasca, todo inverno passa por um período de trinta dias sem ver a luz do sol. Nessa época, muitos residentes viajam para o sul e a já reduzida população local costuma cair pela metade. Isolada pela neve e por uma súbita pane em todos os meios de comunicação, Barrow é sitiada por sanguinários vampiros, que se aproveitam dessa noite ininterrupta para caçar e devorar os habitantes. O xerife Eben e sua ex-esposa, Stella, lideram um grupo de sobreviventes e buscam uma maneira de resistir até o retorno da luz do dia. Baseado na graphic novel homônima.

Confesso que tenho uma certa implicância com esse tipo de vampiro animalesco que arranca dentadas de suas vítimas. Como fã dos bebedores de sangue clássicos, acho esses híbridos de vampiro com zumbi no mínimo esquisitos. Mas vá lá. O começo é bom. A ambientação da cidade, com suas casas sobre palafitas, é muito interessante, assim como a idéia do isolamento total de uma localidade por um período pré-determinado. O filme cria uma boa expectativa em cima disso e sabiamente deixa para mostrar as criaturas depois de estabelecido o máximo de suspense possível.

A partir do primeiro encontro dos vilões com os moradores, a história inevitavelmente ganha um tom de filme B. E não poderia ser diferente, considerando a abordagem escolhida para os vampiros. Daí minhas ressalvas a esse estilo de terror, que obrigatoriamente empurra um filme que vinha se desenvolvendo com classe para o segundo escalão. Mas o que realmente põe 30 Dias de Noite num patamar inferior não é nem sua opção estética e sim a baixa qualidade dos diálogos. Os vampiros, em especial, dizem pérolas do tipo “a gente já devia ter vindo aqui há séculos”. Também incomoda um pouco o modo como os dias passam voando: quando nos damos conta, já aparece uma legenda anunciando o 17º dia. E a impressão era a de que se haviam passado dois ou três. E depois disso tudo um personagem procura saber onde é o banheiro do esconderijo. Continuidade estranha, muito estranha.

À frente de elenco, Josh Hartnett confirma que vem se tornando um ator interessante nos últimos anos. Já sua partner Melissa George é mais uma loura inexpressiva de boca grande (de onde elas saem?). A moça tem uma ficha extensa e curiosa no IMDb: fez pequenas pontas em filmes de categoria como Cidade dos Sonhos e Los Angeles - Cidade Proibida e foi uma das, digamos, estrelas do infame Turistas. Sam Raimi, produtor do filme, cogitou dirigi-lo a princípio. Mas essa função acabou ficando para David Slade, que tem como único destaque de sua curta filmografia Menina Má.com. Talvez 30 Dias de Noite rendesse um filme vigoroso nas mãos experientes de Raimi. Com Slade ficou no meio do caminho.

Ficha de 30 Dias de Noite no Adoro Cinema

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