10 de mar de 2008

O Orfanato


Laura se muda com o marido Carlos e o filho Simón para o casarão onde funcionava o orfanato onde foi criada até os sete anos, quando foi adotada. Seu objetivo é fazer do local uma casa destinada a cuidar de crianças especiais, mas, antes que realize seu intento, percebe estranhas mudanças no comportamento de Simón e, aos poucos, compreende que o local guarda mistérios que remontam ao tempo em que ela ali vivia.

O Orfanato chegou às telas brasileiras laureado por nada menos que sete prêmios Goya, incluindo os de melhor diretor estreante e melhor roteiro, e a chancela de ter sido o representante espanhol ao Oscar 2008 de melhor filme estrangeiro. Somando esse oba-oba ao fato do longa ser produzido pelo competente Guillermo Del Toro, a expectativa em torno do filme não poderia ser pequena. Infelizmente, é um clássico exemplo de muito barulho por nada. Ou por muito pouco.

O filme impressiona bem a princípio. Lembra bastante o estilo do padrinho Del Toro, especialmente A Espinha do Diabo. Boa fotografia, história de suspense clássica, direção de arte bacana. Tudo conspira para criar momentos assustadores e o espectador, envolvido, quer saber para onde vai essa história de terror com ares de conto de fadas. Enfim, o filme promete. Como é possível que, em sua meia hora final, ponha tudo a perder?

O roteiro, que parecia guardar suas fichas para a resolução do filme, deixa a história cheia de pontas soltas e se limita a criar pequenas reviravoltas que não convencem muito. A partir do momento em que a médium interpretada por Geraldine Chaplin visita a casa – numa imitação débil da Tangina de Poltergeist – o filme desanda de vez e não consegue tomar pé da situação novamente. A seqüência em que Laura recria o orfanato tal qual em sua infância chega a constranger. E o desfecho simplesmente não satisfaz. Não posso detalhar mais sob o risco de transformar esse texto num "spoiler", ainda mais por se tratar de uma história de suspense, mas creiam-me: existe algo de muito errado num filme de suspense quando vários espectadores riem (sim, eu ouvi risos em algumas cenas) ao invés de ficarem nervosos.

Um comentário:

Bruno disse...

Erika, discordo inteiramente de você! O final é um dos pontos fortes do filme. Eu diria que ele é muito bonito e fecha a história de forma a não deixar ninguém triste, isso, claro, quando se acredita que a vida não se resume a essa mera exitência carnal!

Mais: fiquei relembrando o filme na hora de dormir e no dia seguinte, e, para mim, não vi nenhuma ponta solta. Todas as peças do quebra-cabeça se encaixam direitinho. A minha namorada também entendeu da mesma forma.

Sobre o gênero do filme. Não dá para classificá-lo como terror. Não que isso seja não um problema! Não é. É um bom suspense com um final de filme de fantasia. Dá até para notar o dedo do Guillermo Del Toro quando se percebe semelhanças com o igualmente ótimo "Labirinto del Fauno".

É isso ai!

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