Se você é chegado no cinema oriental, mais especificamente o chinês, essa é uma oportunidade e tanto para assistir uma produção que fala do tempo e que por ele vagou em várias edições (no mundo real desde 1994) até chegar nas nossas salas, em pleno 2009, na sua versão final: Cinzas do Passado Redux.
O filme é do premiado diretor e roteirista Wong Kar-Wai, do igualmente premiado Amor à Flor da Pele e do curioso Um Beijo Roubado. Para quem ainda não associou o nome a algum trabalho mais recente, o cineasta dividiu metros de película com outros diretores numa sucessão de curtas na produção Cada Um Com seu Cinema, ano passado.
Quanto a Cinzas do Passado Redux, é importante deixar claro, logo de cara, que é filme para poucos. Com uma trama que volta no tempo através do off das memórias do narrador, a história se desenrola em ritmo lento e no idioma original. O que pode ser mais um complicador para quem está acostumado ao “cinemão” americano. Mas o maior problema mesmo é o estilo de filmar cheio de cortes bruscos e, diálogos, às vezes curtos e quase sempre enigmáticos.
Kar-Wai realizou um filme de espadachim (wu xia), uma tradição chinesa que se popularizou mais no ocidente através de filmes como O Tigre e o Dragão. A história é contada por um matador de aluguel que revela para o espectador suas experiências de vida ao lidar com a morte. Para situar o espectador no tempo, utiliza-se legendas e as histórias acontecem nas estações do ano.
As cenas de ação são as típicas do gênero, sempre explorando algum detalhe das lutas, através do uso incessante da câmera lenta. A fotografia usa e abusa de recursos para explorar as cores. O resultado é singular, mas nota-se muita diferença de qualidade de uma cena para outra. Destaque para a tomada em que é possível ver dois reflexos distintos em um espelho de água. Bela cena. Usada mais de uma vez.
Cinzas do Passado Redux é uma história de amor não correspondido. Mais do que isso, talvez, de um amor não entendido. Fala sobre perder chances na vida e querer recuperá-las. “Seria bom voltar ao passado”, diz um personagem. Ou, “a memória é a raiz dos problemas do homem”, diz outro. Para a maioria das pessoas, é uma produção que poderia ter ficado no passado. Para um grupo mais fechado, trata-se de algo que precisa ser visto no presente. Agora, é com você.







