2 de mai de 2009

Cinzas do Passado Redux

Se você é chegado no cinema oriental, mais especificamente o chinês, essa é uma oportunidade e tanto para assistir uma produção que fala do tempo e que por ele vagou em várias edições (no mundo real desde 1994) até chegar nas nossas salas, em pleno 2009, na sua versão final: Cinzas do Passado Redux.


O filme é do premiado diretor e roteirista Wong Kar-Wai, do igualmente premiado Amor à Flor da Pele e do curioso Um Beijo Roubado. Para quem ainda não associou o nome a algum trabalho mais recente, o cineasta dividiu metros de película com outros diretores numa sucessão de curtas na produção Cada Um Com seu Cinema, ano passado.


Quanto a Cinzas do Passado Redux, é importante deixar claro, logo de cara, que é filme para poucos. Com uma trama que volta no tempo através do off das memórias do narrador, a história se desenrola em ritmo lento e no idioma original. O que pode ser mais um complicador para quem está acostumado ao “cinemão” americano. Mas o maior problema mesmo é o estilo de filmar cheio de cortes bruscos e, diálogos, às vezes curtos e quase sempre enigmáticos.


Kar-Wai realizou um filme de espadachim (wu xia), uma tradição chinesa que se popularizou mais no ocidente através de filmes como O Tigre e o Dragão. A história é contada por um matador de aluguel que revela para o espectador suas experiências de vida ao lidar com a morte. Para situar o espectador no tempo, utiliza-se legendas e as histórias acontecem nas estações do ano.


As cenas de ação são as típicas do gênero, sempre explorando algum detalhe das lutas, através do uso incessante da câmera lenta. A fotografia usa e abusa de recursos para explorar as cores. O resultado é singular, mas nota-se muita diferença de qualidade de uma cena para outra. Destaque para a tomada em que é possível ver dois reflexos distintos em um espelho de água. Bela cena. Usada mais de uma vez.


Cinzas do Passado Redux é uma história de amor não correspondido. Mais do que isso, talvez, de um amor não entendido. Fala sobre perder chances na vida e querer recuperá-las. “Seria bom voltar ao passado”, diz um personagem. Ou, “a memória é a raiz dos problemas do homem”, diz outro. Para a maioria das pessoas, é uma produção que poderia ter ficado no passado. Para um grupo mais fechado, trata-se de algo que precisa ser visto no presente. Agora, é com você.

10 comentários:

Fred Burle disse...

Olha, gosto do Wong Kar-wai, mas esse filme passou no FIC Brasília, teve sessões lotadas, mas que se esvaziaram antes do fim, com as pessoas reclamando se tratar de um filme muito arrastado.
Prefiro não arriscar.

Diogo disse...

Esse foi meu primeiro filme do Wong Kar-Wai, o assisti no Festival Internacional de Cinema, em São Paulo. Nem sei como descrever esse filme, é simplesmente pura poesia e arte. Como em todos os filmes do Kar-Wai que acabei assistindo dpeois, e sou um grande fan, ele trata de temas muito fortes e de forma totalmente não convencional, talvez não totalmente, mas sim de forma única. Ele foge dos esteriótipos. E é isso que eu gosto muito em seus trabalhos. Ainda mais a fotografia. De maneira nenhuma achei o filme arrastado, mas não assisti a primeira versão de 1994.
Vale muito a pena assistir esse filme, uma obra de arte.
Arrisque sim Fred, não vejo nenhum mal em gastar algumas horas de seu dia para assistir a esse filme.
Até...

kadinha disse...

Quando é que estreou esse filme no Brasil?
Aqui em Portugal eu julgo que ainda não está prevista a data de lançamento.

Agarra no balde das pipocas

Francisco Russo disse...

Kadinha, no Brasil o filme estreou na sexta passada, 1º de maio.

Anônimo disse...

O filme é maravilhoso. Acabo de vê-lo em Belo Horizonte. Concordo com o Diogo. Tem os melhores elementos do cinema chinês de qualidade, com as cores contrastantes e a sabedoria milenar nas falas. Começa como termina: com o vinho que apaga a memória, mas a memória não pode ser apagada. O espadachim, as estações definidas, numa sequência indefenida de acontecimentos que não levam senão à solidão.

Roberto Cunha disse...

Fred, Concordo com você. Como disse em meu texto: o filme é para poucos. Obrigado por sua participação!

Fique ligado! Em breve o blog será integrado ao site que virá com muitas novidades de interatividade, etc.

[ ]s,

Roberto Cunha disse...

Diogo,
Sua opinião é importante, mas não podemos nunca esquecer que nem todo mundo tem a mesma "leitura" de uma obra. Acho que Fred espelha a realidade de um universo considerável de pessoas que não curtiriam "Cinzas do Passado".

Obrigado por sua participação, ok?

Fique ligado! Em breve o blog será integrado ao site que virá com muitas novidades de interatividade, etc.

[ ]s,

Roberto Cunha disse...

Anônimo,

Muito bom saber que você curtiu muito o filme. Mas vale observar o comentário que fiz sobre o texto do Diogo.

Valeu pela participação!!

Fique ligado! Em breve o blog será integrado ao site que virá com muita interatividade.

[ ]s,

Analucia barros Coelho disse...

Sou fã de Wong Kar-wai. Assisto os filmes dele repetidamente. Quanto mais vezes vejo, mais gosto e compreendo o seu pensamento estético. Não foi diferente com Cinzas do Passado. Assisti no Festival do Rio e agora. Assistí o filme Eros, que tem três histórias de cineastas importantes, como Antonioni por exemplo. Pois bem, a última história e do Kar-wai e se chama - A Mão - e é uma pequena obra-prima. Assistam. Analucia B C

Roberto Cunha disse...

Olá AnaLucia!
Valeu pela participação. E obrigado pela dica.
[]s,
RC

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